AMPLA VISÃO| Eleitor comprando gato por lebre (Por Manoel Afonso)


 
Colunista Manoel Afonso Colunista Manoel Afonso

ÓCIO REMUNERADO São 12 dias de folga para nossos congressistas que estiveram no ‘batente’ pela última vez no dia 27 de fevereiro. A previsão sem erro é que irão repetir o ‘enforcamento’ na Semana Santa. E repito a notícia da última edição da coluna: São quase 500 ex-deputados federais (aposto que você conhece algum) recebendo cada um aposentadoria na média de R$14,3 mil.

EXPECTATIVAS Olhando o que nos espera no Congresso Nacional recorro a sábia observação de Ulysses Guimarães (morto em 12/10/1991) sobre a qualidade daquele parlamento que iniciava mais uma legislatura: "Esta legislatura é pior que a última, mas certamente melhor do que a próxima". Eu diria que essa tese do ex-deputado pode ser aplicada seguramente às Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas. Certo?

O ELEITOR não pode ter ilusões com aqueles discursos inflamados de campanha. A maioria é encenação. Só depois de algum tempo ele vai perceber que comprou gato por lebre. O seu candidato esqueceu os compromissos e muda até de tendência dependendo das vantagens que possa obter. Deputado não atira contra o próprio pé. Veja esse pornográfico Fundo Partidário para torrar nosso dinheiro nas campanhas dos caciques – principalmente – dos partidos. Todos mamando sem distinção.

CONIVENTE apenas um inocente útil? Essa indagação é oportuna em relação ao papel do eleitor na composição dos parlamentos (em todos os níveis). Sem ilusões! Às vezes o eleitor escolhe aquele candidato mais próximo, o que lhe mais agrada ou simpatiza ou quem manifesta vontade de ajudá-lo de alguma maneira: um favor, emprego e aí por diante. Daí vem a conclusão triste, mas verdadeira: nem sempre o escolhido é o melhor ou mais útil dentro do contexto (municipal, estadual ou federal).

REFLEXÃO Os políticos e os detentores de cargos públicos, precisam e devem enxergar o tamanho exato dos cargos que estão ocupando e também aferir tudo aquilo que dizem e fazem. O recado vale hoje ao professor, jornalista e vereador da capital Eduardo Romeiro (Rede), alvo de inquérito como suspeito da pratica de estupro contra menor de idade ( 13 anos) e para a vereadora licenciada de Três Lagoas Maria Andrade Rocha (PSD) presa pelo Gaeco - suspeita de liderar ou integrar quadrilha de traficantes de drogas. O que os seus eleitores estão pensando deles agora?

BOA PERGUNTA: "O que os seus eleitores estão pensando dos dois após divulgação dos fatos relatados no tópico acima? Se forem eleitores conscientes que votaram neles tão somente pelo conteúdo de suas propostas - certamente estarão decepcionados, exigindo explicações ou versão convincente. Mas se pertencerem ao grupo de eleitores alienados ou que votaram por algum tipo de interesse, vão ignorar a notícia e suas consequências penais e políticas. Esse o eleitor galinha – bota o ovo – tchau e benção!

‘RECUERDOS’. Um observador dizia no saguão da Assembleia Legislativa de fatos administrativos nem sempre analisados como deviam pelas conveniências da época. Um deles foi o empréstimo contraído pelo Governo Estadual na gestão de Wilson Barboza Martins (MDB) para asfaltar trecho de uma rodovia federal - a BR 262. O outro episódio foi a venda da empresa estatal Enersul. Questionados, alguns políticos da época, preferem ironizar sutilmente a real destinação do produto da venda.

TRISTE FIM? Nunca ouvi dizer que o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) seria desonesto. Mas as denuncias de corrupção contra pessoas de sua equipe respingaram na sua áurea de honesto e devem antecipar o fim de sua carreira aos 66 anos de idade. Após governar São Paulo por 4 vezes restariam poucas opções: senado e deputado federal. O problema é que as eleições serão em 2021. Ainda teria oxigênio para mais uma batalha?

COMPARAÇÃO Alckmin lembra o ex-senador Cristovam Buarque (PPS) quando de trata da falta de carisma e de empolgação. Cristovão é intelectual, de brilhantes ideias mas não consegue convencer e contagiar as plateias pelo seu estilo tímido. Alckmin é o genro que todo sogro gostaria de ter: respeitoso, pontual e afável nos gestos. Mas antes mesmo do sinal amarelo aparecer ele se contem com medo de avançar o sinal. Lento demais. Ambos teriam futuro na Dinamarca, por exemplo.

FUTUROLOGIA As rodovias – a exemplo das cidades – vão envelhecendo e os seus problemas aflorando. Viajando pelas rodovias estaduais percebe-se esse processo lento mas contínuo de deterioração. Daí fico questionando se os nossos cofres públicos terão no futuro recursos suficientes para recapear ou fazer outras obras nestas rodovias. Não é fácil – como era antes – captar dinheiro a juros baratos para determinadas obras. As fontes praticamente secaram.

CIDADES Ao seu estilo franco o prefeito Marcos Trad (PSD) admitiu publicamente que as ruas de Campo Grande estão envelhecidas – algumas pelo tempo de uso – outras também pela qualidade do material usado. Repito aqui a preocupação de especialistas no assunto para resolver esse desafio de reformar as cidades a partir do asfalto cada vez mais exigido e judiado pelo excesso de trafego. O leitor pode comparar o número de veículos que trafegavam pela rua de sua casa no ano 2.000 com o trafego de hoje. A diferença é brutal.

INTERESSANTE o critério nosso – brasileiro – para avaliar a qualidade de uma cidade. O primeiro fator levado em conta é a capacidade dela acolher a frota automotiva (sempre crescente) sem problemas. Campo Grande é a cidade perfeita para incluí-la neste rol. De pequena metrópole espaçosa e confortável passou a ser considerada insuportável em alguns horários e regiões. Convenhamos que reinventar uma cidade não é tarefa fácil.

COMPARANDO Se a situação em nossa capital já é considerada ruim por muitos, vou buscar no Estado de São Paulo alguns exemplos de cenários bem piores. Quem já foi a Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Sorocaba colheu subsídios suficientes para reclassificar Campo Grande como uma cidade ainda razoável pela largura das ruas e o número de avenidas de longa extensão. Essas cidades paulistas, a exemplo da Cidade Morena padecem de um mal comum: o transporte público pelo serviço de ônibus.

‘OH! COITADOS!’ Tem sindicalistas apavorados. Outros falam bobagem por conta do fim da obrigatoriedade do imposto sindical. Agora piorou com a obrigação do sindicato enviar o boleto do imposto para o endereço do trabalhador, que pode pagar ou não. Só para o eleitor ter a real dimensão da teta que acabou: em 2017 o imposto sindical rendeu R$ 3,64 bilhões e em 2018 caiu para R$500 milhões. Petezada tá pê da cara!

CAPITÃO CONTAR Antevejo uma enorme polêmica envolvendo os dois recentes projetos do deputado estadual pelo PSL. Um institui o resgate dos valores básicos do civismo na rede estadual de ensino. O outro dispõe sobre gestão compartilhada nas escolas estaduais com participação da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros inclusive. Há também expectativa quanto a posição do deputado cabo Almi – que é do PT ( ainda) mas que pertence aos quadros da Polícia Militar.

‘CHUMBO GROSSO’ Os tempos mudaram e a aplicação de penas prisionais contra a corrupção também, ficaram mais duras. O ex-governador carioca Sergio Cabral (MDB) já foi condenado a 198 anos de prisão. Paulo V. de Souza, ex-diretor do Dersa de São Paulo (leia-se Rodonorte) já levou 172 anos em dois processos e virou réu num terceiro. Não é difícil calcular com quantos anos de idade sairão da cadeia, já que o máximo de tempo de prisão no Brasil é 30 anos. Outros por aí também estão na linha de tiro.

‘DJANGO’ Nosso Loester Trutis (PSL) já obteve visibilidade, ainda que passageira na grande mídia como deputado federal. Visando quebrar o monopólio da Taurus na venda de armas no país ele pretende criar uma nova frente parlamentar argumentando que com importação livre, o valor médio de uma pistola poderia cair para metade dos atuais R$4.500,00. É esperar pra ver o calibre do deputado.

BENGALA Teme-se por um ‘boom’ de pedidos de aposentadoria no serviço público diante da Reforma da Previdência. Só São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul somam 100 mil funcionários em condições de aposentar. O conjunto dos 4 maiores Estados, pelo critério PIB, dá uma noção da dimensão do problema. Arrumar caixa para tudo isso é o grande desafio. Aqui no Estado a situação também é séria.

NA CASERNA Pois é! Não tem jeito. O Planalto manda também o projeto de Reforma da Previdência dos Militares ou os congressistas boicotam a Reforma da Previdência. Esse projeto aumentaria de 30 anos para 35 anos o período de contribuição dos fardados e elevaria a alíquota dos atuais 7,5% para 10,5%. Convenhamos: em tempos de crise todos devem dar sua cota de sacrifício. Ou não?

PEGA LADRÃO Nem a Igreja Católica escapou das investigações da Operação Calicute ( versão carioca da Lava Jato), onde delações apontaram o desvio de R$56 milhões destinados à Saúde para religiosos próximos a Dom Orani Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro. As ponderações do religioso foram desproporcionais à gravidade das acusações. No mínimo faltou-lhe indignação, não convenceu. E a mídia não toca mais no assunto. ‘Estranho’ mesmo!

A ação política é cruel, baseia-se numa competição animal, é preciso derrotar, esmagar, matar, aniquilar o inimigo. ( Otto Lara Resende)

**08/03/2019 - Por Manoel Afonso

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