Sobe para 50 número de mortos em ataques a mesquitas na Nova Zelândia

Na sexta-feira (15), três pessoas foram detidas após os ataques contra as mesquitas de Christchurch, mas duas delas foram liberadas por não estarem conectadas ao massacre. Além dos mortos, 48 pessoas ficaram feridas, sendo 20 em estado grave.


 
Assassino de ataque a mesquistas é acompanhado por policiais durante sua apresentação à corte do Distrito de Christchurch, na Nova Zelândia, no sábado (16) — Foto: Mark Mitchell/New Zealand Herald/Pool

Assassino de ataque a mesquistas é acompanhado por policiais durante sua apresentação à corte do Distrito de Christchurch, na Nova Zelândia, no sábado (16) — Foto: Mark Mitchell/New Zealand Herald/Pool

O comissário de polícia da Nova Zelândia Mike Bush afirmou, na manhã deste domingo (17), tarde de sábado (16) no Brasil, que o número de mortos nos ataques a mesquitas em Christchurch, na ilha sul da Nova Zelândia, aumentou para 50.

A polícia afirmou que o balanço de mortos aumentou depois que uma nova vítima fatal foi encontrada no processo de remoção de corpos das duas mesquitas, que só terminou na noite de sábado. Outras 48 pessoas foram feridas, sendo que 20 delas se encontravam em estado grave na sexta (15).

"É com tristeza que eu aviso que o número de pessoas que morreram nesse evento subiu agora para 50. Na última noite, conseguimos retirar todas as vítimas de ambas as cenas. Ao fazer isso, nós conseguimos localizar uma nova vítima", afirmou Bush em uma entrevista para jornalistas, segundo a agência Reuters.

Além disso, Bush explicou que, dos três detidos na sexta em relação ao atentado, dois foram liberados por não estarem conectados ao caso.

"No momento, só uma pessoa foi acusada em relação a esses ataques", afirmou o comissário da polícia neozelandesa.

Entre as vítimas estão homens, mulheres e crianças. Os nomes ainda não foram divulgados oficialmente por autoridades neozelandesas, mas famílias confirmam alguns deles à imprensa desde a sexta. Veja quem são algumas das vítimas do atirador.

Segundo a agência EFE, o comissário afirmou neste domingo que a polícia, além de investigar o caso, também está atuando para identificar as vítimas, para que elas possam ser enterradas o mais rápido possível. Ele reconheceu a frustração entre os familiares que querem realizar os funerais de acordo com seus costumes.

"Não compartilharemos informação [sobre os mortos] até que eles estejam formalmente identificados", disse Mike Bush.

Resumo

  • Ataques a duas mesquitas de Masjid Al Noor e de Linwood na Nova Zelândia deixaram 50 mortos; Outras 48 pessoas ficaram feridas, sendo 20 em estado grave;

  • 4 pessoas foram detidas na sexta: uma delas foi liberada no mesmo dia, e outras duas foram liberadas na noite de sábado por não terem ligação com o caso;

  • A polícia informou que o assassino é um australiano de 28 anos chamado Brenton Tarrant, que foi acusado formalmente por homicídio;

  • As autoridades ainda não divulgaram a identidade das vítimas, mas os familiares de algumas delas já vieram a público;

  • Numa das mesquitas, o homem armado com um rifle automático disparou contra a multidão;

  • Usando uma câmera no capacete, o assassino filmou e transmitiu ao vivo o massacre;

  • O Facebook eliminou as contas do criminoso e trabalha para remover cópias do vídeo; Na rede, o homem se identificou como defensor da extrema-direita e contrário à imigração.

 
Mulher deposita buquê de flores em homenagem a mortos em atentado a mesquita em Christchurch, Nova Zelândia — Foto: Mark Baker/AP Photo

Mulher deposita buquê de flores em homenagem a mortos em atentado a mesquita em Christchurch, Nova Zelândia — Foto: Mark Baker/AP Photo

Testemunhas

Pessoas que sobreviveram ao ataque relataram cenas de pavor vividas dentro e fora das duas mesquitas. Ramzan Ali, que tinha sangue nas roupas, disse à imprensa local que viu o atirador atingir um homem no peito. Ele estima que o tiroteio durou 20 minutos. "Eu só pensava que ele precisava ficar sem balas. O que eu fiz foi basicamente esperar e rezar. Deus, por favor, acabe com a munição dele", declarou Ali à emissora de televisão TVNZ.

Com a voz trêmula, Jill Keats, de 66 anos, afirmou que "nunca pensou que fosse presenciar algo assim, não na Nova Zelândia".

"Eu estava no meu carro. Inicialmente achei que os estampidos eram fogos, mas em seguida vi algumas pessoas correndo e caindo à medida que eram atingidas e então percebi que eram tiros. Um caiu à direita do meu carro, outro à esquerda."

O atentado na Nova Zelândia se assemelha a outros massacres promovidos por extremistas brancos em países ocidentais, tendo os muçulmanos como alvo. Em resposta, comunidades muçulmanas em todo o mundo prestaram homenagem aos mortos e feridos.

Controle de armas

A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, definiu o ataque como "um ato de violência sem precedentes na Nova Zelândia" e afirmou que o dia 15 de março de 2019 foi "um dos dias mais sombrios e sangrentos da história do país". "Esse tipo de violência não tem lugar na Nova Zelândia."

Na manhã deste sábado (horário local), Ardern anunciou que as leis sobre armas serão alteradas no país após o ataque. Ela lembrou que o assunto já foi discutido em anos anteriores, mas afirmou que, após este caso, não é mais possível adiar uma ação. "Agora é a hora de mudar", acrescentou, dizendo que um dos itens que busca implementar é o banimento de armas semiautomáticas.

Segundo a primeira-ministra, foram apreendidas com o assassino cinco armas, entre elas duas semiautomáticas e duas espingardas, e o homem tinha licença e comprou todas legalmente, a partir de dezembro de 2018.

**16/03/2019 - G1

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